Etanol de milho avança e reduz parada das usinas
O avanço do etanol de milho no Brasil começa a alterar a rotina de usinas dependentes da safra de cana-de-açúcar. Segundo Nivio Domingues, fundador e diretor da Samba Export Brazil, essa expansão permite manter unidades industriais em operação também durante a entressafra. Há pouco mais de uma década, o país…
O avanço do etanol de milho no Brasil começa a alterar a rotina de usinas dependentes da safra de cana-de-açúcar. Segundo Nivio Domingues, fundador e diretor da Samba Export Brazil, essa expansão permite manter unidades industriais em operação também durante a entressafra.
Há pouco mais de uma década, o país produzia cerca de 80 milhões de litros de etanol de milho por safra. Para 2025/26, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima 10,17 bilhões de litros, alta de 29,8% ante a temporada anterior. O volume supera um quarto dos 37,5 bilhões de litros de etanol previstos no Brasil.
A mudança afeta as usinas de cana, que costumam reduzir ou interromper as atividades entre dezembro e março. Diferentemente da cana, que precisa ser processada logo após a colheita, o milho pode ser armazenado. Assim, plantas instaladas junto às unidades existentes ampliam o período de produção e aproveitam laboratórios, armazenagem e setores administrativos.
A Aplus Engenharia desenvolve dois projetos nesse formato, com Atvos e Bioenergética Aroeira, e negocia outros cinco no Sudeste. Segundo Alessandro Salvador, sócio-fundador e diretor comercial da empresa, uma nova unidade de etanol pode exigir R$ 1,4 bilhão, enquanto uma planta de milho instalada depois no mesmo complexo pode custar R$ 900 milhões.
O efeito aparece nos dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Em fevereiro de 2024, na entressafra da cana, o milho respondeu por 72% do etanol produzido no país. Para Domingues, o avanço também cria demanda estrutural para o cereal brasileiro e reduz a ociosidade industrial, aproximando o setor de uma operação ao longo de todo o ano.
Agrolink – Leonardo Gottems
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Fonte: O Correio News